quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Testemunho ou Clichê?

Quem aqui nunca ouviu estas perguntas: "O que é fé?" ou "Quem é Deus (ou Jesus) para você?"
É extremamente comum ouví-las, vez ou outra, em grupos da Igreja, até a nível de descontração. E mais corriqueiras são as respostas dadas a tais perguntas. E é isso que sempre me intrigou. Não pelas respostas em si, na verdade é muito bom que se repita, por unanimidade, que "fé é acreditar no que não se vê"; que Deus é "o Senhor, o caminho a ser seguido, a razão de existirmos"... Em verdade, ninguém proclama que Jesus é o Senhor sem ser pela ação do Espírito Santo (1Cor 12,3). O que me inquieta é a forma com que estas palavras são ditas. Longe de mim querer julgar a fé ou o coração dos meus irmãos, mas boa parte de nós, cristãos, reproduzimos as palavras acima de forma automática; somos ecos de vozes alheias. Muitas vezes é até notável que são palavras vazias cujo peso e significado nem sempre compreendemos por inteiro. Me vem à lembrança um trecho dos Evangelhos onde Cristo pergunta aos discípulos "'Quem é o Filho do Homem?' Responderam: 'Uns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou um dos profetas.' E Jesus respondeu: 'E VOCÊS? Quem acham que eu sou?' Ao que Simão Pedro exclamou: 'Tu és o Cristo. O filho do Deus Vivo!' E Jesus disse: 'Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue quem te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu.'"  (cf. Mt. 16, 13-17). É isto que tenho visto com frequência: assim como os outros discípulos, também nós, muitas vezes apenas reproduzimos o que os outros falam a respeito de Cristo, da fé ou de qualquer outro assunto. É como se não tivéssemos opinião própria ou como se limitássemos a ação do Espírito em nós (convém, apenas a critério de compreensão, imaginarmos que podemos limitá-la) de modo que as palavras que proferimos não são capazes de convencer, ainda que estejam corretas.
Por outro lado, há aqueles que fazer verdadeiros discursos, com vocabulário vasto e argumentos bem elaborados. Louvado seja Deus por isso! É igualmente bom que usemos toda a nossa inteligência no testemunho a Cristo. Contudo, em certas ocasiões, o excesso de argumentos e a linguagem rebuscada podem denotar a mesma falta de conhecimento e, permitam-me dizer que dão um ar de hipocrisia. Mais uma vez, longe de mim querer julgar a fé dos meus irmãos! Deus sabe que não me encontro apto a fazê-lo nem mesmo em relação à minha própria fé. Mas digo isso por já ter estado nas duas situações descritas e poder exprimir o quanto é prazeroso expressar um testemunho simples e sincero acerca das coisas de Deus.
Que não sejamos apenas ecos de vozes alheias, mas que sigamos o exemplo de Pedro que, movido pelo Espírito, foi capaz de afirmar, do mais íntimo de si: "Tu és o Cristo. O filho do Deus Vivo!" 
Oremos para que as respostas se repitam em sentido, mas que sejam simples e, acima de tudo, sinceras. Para que, vendo nossas boas obras, possam glorificar ao Pai que está no céu. (cf. Mt. 5,16)


Louvado seja o Nosso Senhor, Jesus Cristo!

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